quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Encontros

Os encontros eram bastante proveitosos... a cada momento descobríamos que ser pai e mãe não era simplesmente a realização de um sonho, a continuidade da nossa espécie... algo muito maior ainda viria pela frente... os testemunhos das outras pessoas foram muito importantes para podermos tomar as nossas decisões...

2011 - Novas esperanças

Bem... não é de se esperar muito que as coisas neste país funcionem em época de fim de ano... então nossas esperanças diminuiam a cada fim de semana próximo de 2011... Enfim entra 2011 e continuávamos sem qualquer notícia a respeito... Janeiro, época de férias e tudo absolutamente sem notícias e sem perspectivas... Fevereiro... carnaval... Março... fim de carnaval, quando recebemos uma carta para comparecer ao juizado para os primeiros encontros de grupo para preparação da adoção...

Esse momento foi de grande felicidade, afinal vimos que as coisas finalmente iriam andar...

Momentos burocráticos

Na Vara da Infância fomos bem recebidos e tivemos todas as informações do que era necessário para se dar entrada no processo de adoção... Tirar cópias de vários documentos, comprovar renda, ter um atestado de sanidade mental... bem... essa parte até hoje eu não entendo porque é necessária, pois vendo minha atual situação e a situação que eu vivia anteriormente, confesso que é justamente preciso ter uma boa porcentagem de loucura para assumir essa nova vida... mas tudo bem... nem a psicóloga soube me explicar o motivo desse exame...

Após a entrega dos documentos exigidos, esperamos cerca de 6 meses... e sem qualquer notícia a respeito do processo... tudo que sabíamos é que deveria demorar bastante... tudo que sabíamos era que deveríamos aguarda o contato das assistentes sociais... enquanto isso dava tempo de "ajeitar a nossa vida"... preparar quarto, comprar coisas que depois seriam impossíveis de se comprar, enfim... realizar pequenos sonhos pessoais antes da vinda da possível criança...

O início - 2010

Essa história começa em 2010... eu e minha esposa já estávamos tentando ser pais há alguns anos e não conseguiamos. E em 2010 resolvi fazer uma bateria de exames para saber se o problema era comigo... sim... nós homens temos essa estranha mania de achar que a infertilidade pode ser só um problema das mulheres... e para minha triste surpresa o problema era comigo mesmo e não havia uma solução simples...

O médico foi bem franco e frio dizendo: é... você não pode ser pai. Só há uma solução neste caso que é a inseminação artificial in vitro... iremos "cultivar" alguns óvulos e depois vamos colocar de 5 a 6 óvulos na sua esposa para fecundarem. Quando eles estiverem mais desenvolvidos vamos MATAR uns 3 ou 4 para que ela não tenha problemas nem corra risco de vida e ficamos com 2 por segurança... na mesma hora, contendo as lágrimas, com a garganta completamente embargada de tristeza, não consegui dizer mais nada... saí da sala do médico e voltei para o trabalho...

É um sentimento ruim... uma mistura de tristeza, com um sentimento de fracasso, me senti tão pequeno, tão insignificante... mas engoli tudo a seco e tentei seguir em frente...

Ao chegar em casa conversei com minha esposa... e decidimos não arriscar com a inseminação... o fator MATAR, dito pelo médico, me assustou muito... e eu não concordei com essa idéia de colocar minha esposa em risco por causa de um sonho...

então decidimos procurar a Vara da Infância e Juventude para saber como funcionava o processo de adoção... quais eram os documentos que deveríamos levar...

Introdução

Bem... resolvi criar esse blog para escrever os novos sentimentos que invadem meu coração com essa descoberta diária e constante de ser pai.
Desde criança sempre pensei em fazer alguma diferença no mundo... ser alguém importante, fazer alguma coisa legal, enfim deixar alguma marca nesse mundo... não passar em branco... mas a pergunta era... o que fazer? como deixar essa marca? é... não é fácil descobrir essas coisas... mas a vida deu suas voltas em torno do sol e me presentou com essa história que pretendo contar para vocês sempre que eu puder estar aqui, pois na minha atual condição, minha cabeça e meus pensamentos estão voltados para minha mais nova atividade, tarefa, função ou algo parecido que é ser PAI... como meu amigo Patrick diz sempre "O Paizão do Ano"