sexta-feira, 26 de junho de 2015

E a vida continua...

26 de junho de 2015... 3 anos se passaram e muita coisa aconteceu... infelizmente não tive muito tempo nem lembrança de atualizar o blog. Mas hoje bateu a vontade de voltar a escrever.

Muitas provações e também muitas alegrias já enfrentamos e celebramos ao longo desses anos. Os meninos estão crescendo rapidamente... Gabriel agora está manifestando um grande interesse e admiração pelo futebol. Passa horas assistindo qualquer jogo, qualquer time... Ele escolhe um e começa a torcer ao ponto de sofrer por cada gol que não acontece e vibrar por cada lance...

Considero esse gosto como um desenvolvimento natural e exclusivo dele, pois na família, só meu pai gosta de futebol e mesmo assim não com a mesma paixão que Gabriel tem demonstrado. Vale aqui fazer uma ressalva que minha esposa fez, de que existe sim o lado DOENTE pelo futebol na família, que seria minha sogra, os dindos e meu concunhado, que são fanáticos doentes, além dos amiguinhos de escola. Mas do que eu queria me referir é do futebol DENTRO de casa. Não somos uma família que liga a TV para acompanhar o futebol. Achei inocentemente que não existindo essa influência dentro de casa ele não seria contagiado pela paixão ao futebol. O mais próximo que ele tem de contato com o futebol é do seu avô, que acompanha os resultados através do seu radinho de pilha e em todos os encontros matinais que os dois tem diariamente o assunto principal colocado em pauta é quem ganhou o que e onde!!! Ah... e também se o NEMAR está jogando no FRUMINENSI... Eu não sei de onde ele tirou essas dúvidas... Ah... E ele também tem horror ao FED (Fred)... Da minha parte eu o apoio no sonho que ele decidir embarcar.

Moisés agora está mais tranquilo. Toda aquela dificuldade de aprendizado, relacionamento, de sentimentos está sendo resolvida. Lentamente mas está caminhando. Passamos por alguns psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos, mas nenhum teve a atitude de ajuda-lo conforme ele precisava...

Os sintomas de dislexia continuam presentes. Não tão intensos, mas presentes... dificuldades do entendimento da leitura, dificuldades na escrita, aliados a uma grande falta de vontade de se concentrar nos estudos... Mas em comparação ao passado, eu considero uma melhora grande, diante de tudo que já vivemos.

O que me entristece com esses ditos médicos é que nenhum tem a coragem de dar o veredito e nos auxiliar nesse sentido. Na escola ele precisa de um laudo médico que comprove sua dislexia. Diante desse laudo, o tratamento passa ser um pouco diferenciado. Ele pode ter acesso às provas de forma oral... A escola que ele está atualmente já está ciente dos problemas existentes, mas mesmo assim se torna necessário um laudo médico. Nós continuamos a tentar. A fono empurra para o neuro, o neuro empurra para o psiquiatra, o psiquiatra dá alta nele e empurra para a fono... Mas nenhum assume suas responsabilidades.

Quanto à Vara da Infância e Juventude de Nova Iguaçu, esse tempo todo as coisas só ficam mais burocráticas. A falta de assistência, de apoio, de agilidade desses órgãos públicos é surpreendente e decepcionante...

Após a guarda temporária, que precisa ser renovada a cada 6 meses, as assistentes sociais simplesmente abandonam o caso. Empurram todo o atendimento e responsabilidades para o cartório... Aquela sensação de apoio, de acompanhamento que você tem no início, simplesmente desaparece.
Daí você passa a ter que contar com a boa vontade desses ditos funcionários públicos, que te atendem como e quando querem. E, para complicar ainda mais, a renovação da guarda, que era um processo simples agora foi triplicado em dificuldades...

Antes você se dirigia ao cartório e solicitava a renovação da guarda... esperava 3 dias e buscava o mesmo... Agora, para "facilitar" a nossa vida, eles criaram uma nova regra: você tem que ir até a defensoria pública... sim... aquela que atende a zilhões de casos não especificamente de adoção, fazer o pedido, aguardar de 15 a 20 dias (úteis) a guarda... daí você espera esses dias todos, retorna lá e eles não sabem onde está o seu processo e fica aquele jogo de empurra na qual uma bola de ping pong é muito mais bem tratada... Está no cartório? Está no escaninho? Onde está? Volte na semana que vem!!!
E se você não tiver a sorte de algum estagiário de boa vontade para te atender e procurar para você, ou pelo menos para dar continuidade ao seu pedido, tudo pode estacionar ali mesmo... por tempo indeterminado!!!
Por fim, eles descobrem que o processo voltou ao cartório e que você deve pegar a sua renovação de guarda onde? sim... lá no cartório... onde tudo começou...

Essa é só uma de tantas outras dificuldades que temos que enfrentar com a Vara da Infância e Juventude... Só ano passado foram marcadas duas audiências e as duas foram canceladas... sem aviso prévio, sem explicações, sem motivos... Você começa a se desesperar, não tem a quem perguntar... Você volta aos assistentes sociais e os encontra lá conversando alegremente com o que vão fazer de bom no fim de semana. Você pede explicações e eles simplesmente tiram o corpo fora e dizem não ter mais "a ver" com o caso... Você volta no cartório e se você der sorte de que o olhar de algum daqueles funcionários, que teoricamente teriam que atender ao público, se volte para você, o máximo que você pode encontrar é uma explicação ilógica, tipo aquelas que damos para nossos filhos: Não porque não!!! E nada mais...

A única solução que se tem a fazer é tentar seguir em frente a vida. Um dia de cada vez...

A premissa da Vara da Infância e Juventude é de que a partir do momento em que as crianças estão abrigadas em um lar seguro, tudo está bem. E todo restante, como a documentação, certidão de nascimento ficam para quem sabe algum dia a ser resolvido... Quando? Não importa!!! para eles...

Enquanto isso, na escola dos meninos temos que ir contornando a situação e explicar a razão, ou pelo menos tentar, deles não terem documentação, data de nascimento e assim IMPLORAR para que considerem o novo nome que eles terão. Pois sim... Existe todo um trabalho da nossa parte de ensinar aos nossos filhos o nome e sobrenome que eles terão. E implorar à escola que não considere o sobrenome biológico e sim o sobrenome de seus pais adotivos. Já que não existe nenhuma documentação oficial a respeito. Daí todo um cuidado NOSSO para que na hora da chamada eles sejam chamados pelo nome e sobrenome correto, para que a carteirinha da escola venha o nome correto, para que nas provas eles possam assinar o sobrenome correto, pois se depender do restante, não existirá essa preocupação...

Nem carteira do SUS eles podem ter, pelo simples fato da guarda não ter a data de nascimento e assim, consequentemente, eles não podem lançar no "sistema"...

No mais, quanto a nossos filhos, nada neste mundo se iguala à alegria de amar e ser amado verdadeiramente. A cada dia, a cada instante, a cada olhar, a cada corujada à noite, quando nos levantamos para ver se eles estão cobertos, protegidos e seguros. Agradeço única e exclusivamente a Deus por essa graça, este presente divino que é poder ser pai.

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