quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Enquanto isso em casa...

Quando contei a meus pais da decisão da adoção, a dúvida era geral, pois tínhamos um vizinho que adotou uma criança. Era uma criança fisicamente nos padrões que os casais geralmente buscam. Recém nascido, loiro, olhos claros, enfim, teoricamente perfeita... mas a vida tem seu próprio caminho e esse menino cresceu e não se tornou boa gente... Teve tudo para se tornar uma pessoa de bem mas não se tornou... e esse era o medo inicial de minha mãe.

Meu pai, porém já me apoiou plenamente, pois ele também fora abandonado muito cedo. Sua mãe morreu e seu pai nunca o assumiu. Sua irmã foi pega por uma família, não para ser adotada e sim para virar "empregada da casa"... naquela época era muito comum pegar crianças não para adoção, e sim para serem empregados... Meu pai se tornou então meu motivo de inspiração para prosseguir com a adoção...
Enfim, meu pai teve todas as oportunidades para NÃO ser uma pessoa de bem. Viveu na rua, aprontou muito, mas decidiu ter uma família, trabalhou a vida toda, me deu todas as condições possíveis para que eu também fosse uma pessoa de bem e, aqui estou... não sei ainda se sou exatamente o que meu pai esperava de mim, mas estou tentando a cada dia... e hoje vejo isso muito claramente. Coisas que nunca parei para pensar agora me vêem à cabeça com muita frequência...

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